ONDE ESTÁ O SEMEADOR?

A crescente onda de violência no Brasil, presente em todos os estados, mas principalmente no estado do Rio de Janeiro, pode-se comparar ao sintoma de alguma doença?  Haverá algum remédio ou tratamento que possa trazer um mínimo de bem-estar aos cidadãos brasileiros?

Conforme Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 61.619 pessoas foram assassinadas[1] no Brasil, em 2016; 07 pessoas assassinadas por hora no país. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgaram o estudo[2] demonstrando que em 2017 os assassinatos aumentaram no país. No Rio de Janeiro tem um policial militar morto a cada três dias; são 50 PM mortos até meados do mês de maio[3] de 2018.

Para não ser tão dramático ou sensacionalista trazendo apenas os dados estatísticos de assassinatos, pesquisas de organismos internacionais também apontam que o Brasil sucumbe diante da corrupção, da baixa qualidade na educação, da desigualdade social, da elevadíssima carga de impostos, do baixíssimo índice de desenvolvimento humano (IDH), etc. Embora seja difícil definir em números, podemos intuir que a corrupção mata mais do que as armas no Brasil, haja vista o número assustador de verdadeiras quadrilhas envolvendo as principais autoridades do país e as empresas que os auxiliam no espólio da sociedade brasileira.

Muitas causas para essa turbulência existencial têm sido apresentadas por sociólogos, psicólogos, filósofos, especialistas em segurança pública, institutos de pesquisas e órgãos ligados ao governo, dentre as quais a falta de investimentos em educação, de políticas públicas, a ausência do Estado em zonas consideradas vulneráveis, etc. Mas, longe de querermos apresentar mais uma causa, pretendemos trazer uma reflexão mais simples e menos acadêmica. Sabemos que o conhecimento das principais causas não tem sido suficiente para apontar o caminho da verdade e da justiça. Há três tipos de conhecimentos: o empírico, e científico e o teológico; o primeiro trata do saber popular, sem comprovação; o científico, utiliza a análise crítica, a reflexão e a comprovação ou síntese; já o teológico, utiliza o saber transcendental, do divino, através das Escrituras Sagradas que enfatizam a moral e a ética; neste último é que pretendemos assentar nossas observações.

Ao falarmos em abordagem mais simples, entenda-se aquela voltada para a realidade cotidiana das comunidades, que muitas vezes sabem qual seria a melhor solução para os problemas que enfrentam, mas não são consultadas pelos “especialistas” em soluções prontas. Pretendemos reafirmar o que está previsto em nossa Constituição Federal de que a responsabilidade pela atual situação brasileira é de todos os cidadãos; isso inclui tanto o indivíduo como suas comunidades. Se todos fizerem sua parte “semeando o bem”, a situação deverá melhorar, porém, o que se observa é o individualismo, a falta de comprometimento, o egoísmo, e variadas crises, principalmente pela ausência de valores pautados pela moral e pela ética.

Está escrito lá noMultidões Salmo 126:6 – “Aquele que sai chorando, levando a semente para semear, voltará com cânticos de júbilo, trazendo consigo os seus molhos”; em 2 Coríntios 9:6 – “Mas digo isto: Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e aquele que semeia em abundância, em abundância também ceifará.” Embora saibamos que o próprio Mestre falou que a semente se refere a Palavra de Deus, conforme Marcos 4:14 – “O semeador semeia a palavra”, acreditamos poder fazer uma paráfrase de que cada indivíduo da nossa sociedade deveria semear aquilo que possui, seja um dom, uma habilidade natural ou aprendida, a fim de melhorar a convivência entre seus semelhantes. Hoje estamos vivendo muito mais para a solução de nossos próprios problemas individuais, esquecendo-nos do próximo, conforme disse o Apóstolo Paulo em Filipenses 2:21 – “Pois todos buscam o que é seu, e não o que é de Cristo Jesus”.

Diante da apatia social em que estamos inseridos, a qual paralisa a tudo e a todos, não se poderia excluir a igreja cristã; referindo-se às diversas denominações, instituições religiosas como um todo. A igreja cristã, como responsável por dar testemunho daquele que a instituiu e a legitimou para dar continuidade em sua obra, conforme Lucas 24:48 – “Vós sois testemunhas destas coisas”, parece que deixou-se dominar pelo sistema autoritário que subjuga os indivíduos e os coloca como coisas a serviço de um estado opressor. A igreja, ao que parece, está surda e não houve mais o clamor que se levanta em diversas regiões.

Há um clamorPM ferido do próprio Deus, escrito lá em Provérbios 24:11 – “Livra os que estão sendo levados à morte, detém os que vão tropeçando para a matança”. Como a igreja está trabalhando para socorrer às centenas que diariamente caminham para a morte? Aos que estão nas UTIs, sem médicos, sem medicamentos, agonizantes; aos presidiários, mendigos, dependentes químicos, policiais e bombeiros?

Outro clamor vem do âmago do ser humano, da sua alma, conforme Salmos 42:1, 2 – “Como o cervo anseia pelas correntes das águas, assim a minha alma anseia por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e verei a face de Deus?” Conforme diz Japiassu[4] (professor de Filosofia da UFRJ) em seu artigo, o homem atual não aceita mais “nenhum tipo de dogmatismo, ou seja, as grandes sínteses filosóficas, políticas, ideológicas e religiosas que tanta segurança lhe forneceram no passado.” Parece que só vale o “conhece-te a ti mesmo” socrático. Representam a aceitação mesma da “morte de Deus”, num niilismo positivo (negação de verdades morais e da hierarquia de valores), em busca de novos valores; a divindade atual deixa de ser um Deus pessoal, conforme conceitos bíblicos e dos sábios da antiguidade, para se transformar num “conhecimento místico, esotérico, religioso e oculto” ao bel prazer das experiências individuais. Ao viver assim, um tipo de anarquia liberal, o homem moderno fica à deriva e é levado pela correnteza das religiões, filosofias diversas, perversões sexuais, regadas à drogas, jogos e violência.

Doentes UTI

Ainda podemos citar o clamor de outras regiões, países e continentes que muitas vezes estão em situação pior do que o Brasil, p.ex, falando apenas em termos de violência: a Venezuela, a Síria, etc. Esse clamor encontra base em Atos 16:9 “De noite apareceu a Paulo esta visão: estava ali em pé um homem da Macedônia, que lhe rogava: Passa à Macedônia e ajuda-nos.” Também em 2Co 10:16 “para anunciar o evangelho nos lugares que estão além de vós, (…)”.

No livro das origens, da criação de todas as coisas, vimos que o Senhor colocou o homem para “semear”, cuidar da terra e todas as coisas que nela há, conforme Gênesis 2:15 – “Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e guardar”. Portanto, diante do que já foi aqui exposto, conclui-se que o homem caído está destruindo a terra; porém, convém que atentemos para outras orientações no livro sagrado; em Hebreus 9:27 está escrito: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo (…)” e, no Salmo 19:9 – “O temor do Senhor é limpo, e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e inteiramente justos.”

Encerro dizendo que precisamos fazer nossa parte, porque há um temor de que ao comparecer com as mãos vazias diante do reto juiz, possamos ouvir de sua boca: “ONDE ESTAVAS? OH, SEMEADOR! QUE A SEMENTE NÃO PLANTOU?”

A partir deste ponto, estou transcrevendo partes de um artigo de alguém que também está lutando pela ética no meio cristão. Aqueles que quiserem ler todo o texto, poderão fazê-lo visitando o site que está nas referências:

 O MAL DA DEPENDÊNCIA INSTITUCIONAL RELIGIOSA[5]

   “Sabemos que aquele que nasceu de Deus não peca; mas o que é gerado de Deus se acautela, e o Maligno não o toca. Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o Maligno.” – 1 João 5:18,19

 “Sei que muita gente vai se enfurecer com este artigo. Ou melhor, já devem estar enfurecidos só pelo título. Porém, esta é uma reflexão de quem acompanha a vida institucional religiosa desde criança, pois minha vida institucional da qual tenho lembrança se inicia aos 6 anos no catecismo católico.

Sempre tive minhas pulgas atrás da orelha, como diz o dito popular. Já na infância, minha mãe me alertava a tomar cuidado com o pároco da comunidade, pois o mesmo era dado a muito vinho. Na minha adolescência, fiz parte dos então iniciados grupos carismáticos porque acreditava que esses estavam mais próximos da Bíblia do que os católicos convencionais. Na minha conversão para o protestantismo (no meu caso, para o pentecostalismo), sempre me assustava com toda a mística envolvendo a igreja. Isso nunca me atrapalhou, pois sempre estive mais envolvido com a prática do que com as teorias, e nunca me deixei estimular pelos dogmas, preferindo as ações de misericórdia e solidariedade.

Uma das primeiras intrigas que tive com o “sistema institucional religioso” foi quando era professor de escola dominical em uma pequena congregação num bairro extremamente miserável da periferia de minha cidade natal. Tinha quase trinta alunos que chegavam às aulas nos domingos pela manhã, algumas crianças nuas, descalças, sujinhas, famintas, e algumas com somente uma peça de roupa. A maioria, filhos de pais envolvidos no alcoolismo, drogas, em todo o tipo de violência. Eu então trabalhava no período noturno e pela manhã me dirigia para essa escola com sacolas e sacolas de alimentos, roupas, calçados e brinquedos arrecadados durante a semana entre colegas de trabalho, vizinhos e amigos.

Então fui comunicado pela igreja-sede de que eu deveria incluir na classe da escola dominical da congregação as “revistas” exigidas pela instituição. Então comentei: “as crianças não têm roupas, não têm o que comer, como comprarão a revista?” E o irmão superintendente disse: “Paulo, são as regras da igreja!” E então descobri, a partir disso, que a instituição religiosa tem suas falhas, e falhas gravíssimas.

Assim como nesse exemplo, muitas são as perguntas que todo aquele que vive dentro do sistema religioso tem dentro de si e muitas vezes guarda calado.

Nessa história que referi, não adotei as revistas. (…)

Em João 3, Jesus diz a Nicodemos que importa nascer de novo, pois aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus. E aqui em 1 João temos que o que realmente é nascido de novo o Maligno não lhe toca. E por que digo isso?

Porque todos aqueles que vivem ou fazem parte do sistema religioso e vivem as mentiras, as armações, as hipocrisias do sistema vivem uma vida de pecado.

Tenho visto, após décadas vivendo no sistema religioso, que muitos são os que vivem os pecados institucionais em troca de salários, em troca da casa pastoral, em troca de um carro, em troca de mestrados e doutorados, ou seja, todas as benesses do sistema. Porém, eles não se atentam de que o que realmente importa nessa vida é o estar em Cristo, como Paulo diz em 2 Coríntios 5: 17: aquele que está em Cristo nova criatura é. Ou seja, uma nova criatura que não se alimenta, que não se veste, que não usufrui dos favores do mundo. E isso inclui os favores institucionais.

Os milhões de desigrejados são vítimas das feridas provocadas pelo sistema religioso. Um sistema que vai coexistindo com a mudez e a conivência dos seus participantes. É muito fácil apontar as falhas do catolicismo, as falhas do espiritismo, mas é preciso entender que o sistema evangélico também é repleto de falhas: falhas doutrinárias, ético-morais, sociais, políticas. Porém, o grande mal é o corporativismo institucional, alimentado por todos aqueles que de certa forma vivem do sistema (…).

Só há um sentido da prática dogmática da Igreja: se essa dogmática for o reflexo de Cristo na Bíblia. A grande essência de um pastor, de um líder frente a uma comunidade religiosa não está no salário, nas viagens ou no carro, mas sim nos frutos do Espírito que a convivência dos santos proporciona (…).

Há muitos pastores puramente institucionais. Verdadeiros profissionais da fé. Jesus chama a esses de mercadores ou mercenários. Sim, isso mesmo. Mercenários da fé (…). Essa é a razão de tantas igrejas, apesar de cheias, não produzirem verdadeiros nascimentos em Cristo.

Essa é a razão pela qual, apesar do crescente número percentual de evangélicos, o Brasil ainda sucumbir diante da corrupção, da intolerância, da prostituição, da violência. Reflexos de uma igreja que vive mais os valores do mundo do que os valores de Deus.

Por isso João faz questão de lembrar que o mundo jaz no Maligno.

A Igreja não depende de verbas públicas, a Igreja não depende de favores políticos, a Igreja não depende de ter um grande empresário. A Igreja depende de Deus, e para isso precisa viver Seus valores descritos na Palavra de Deus (…).

Muitos devem estar horrorizados deste texto. “Como pode falar mal da instituição? ”

Não. Estou falando contra os que fomentam a mentira, a hipocrisia, aos mercadores da fé que transformaram a Igreja num balcão de negócios. Há muitos homens e mulheres que não se venderam ao deus deste mundo. Há muitos mesmo. Porém, o número de mercadores cresce a cada dia.

Esta reflexão tem por intenção despertar os que pecam, pois assim age o Espírito Santo de Deus, sempre no propósito de chamar o homem à consciência, e assim o levar ao arrependimento. Não seremos salvos segundo nossa formação teológica, segundo nosso cargo ou posição dentro do sistema religioso, ou pelo quanto nos adequamos aos valores deste mundo, mas seremos salvos mediante o reconhecimento, em vida, do sacrifício de Cristo no Calvário.

Não viva em mentiras, pois o Pai da Mentira é o diabo. Mesmo que ele lhe pague um bom salário, esse salário pode ser sua ruína, pois o salário do pecado é a morte.

Apocalipse 2:7 – “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

[1] https://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/brasil-registra-o-maior-numero-de-homicidios-da-historia-em-2016-7-pessoas-foram-assassinadas-por-hora-no-pais.ghtml

[2] http://www.nocaute.blog.br/brasil/numero-de-assassinatos-no-brasil-volta-crescer-em-2017.html

[3] https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/rj-tem-um-policial-militar-morto-a-cada-tres-dias-sao-50-pm-mortos-em-2018.ghtml

[4] JAPIASSU.Hilton Ferreira, A Crise da Razão no Ocidente, artigo.

[5] https://pedrasclamam.wordpress.com/2017/10/01/o-mal-da-dependencia-institucional-religiosa/

As referências bíblicas empregadas são da Tradução João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada. Grafia brasileira.

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