VINHO NOVO EM ODRES NOVOS – O QUE É ISSO?

Odre novo

 

“Ninguém usa um retalho de pano novo para remendar uma roupa velha; pois o remendo novo encolhe e rasga a roupa velha, aumentando o buraco. Ninguém põe vinho novo em odres velhos. Se alguém fizer isso, os odres rebentam, o vinho se perde, e os odres ficam estragados. Pelo contrário, o vinho novo é posto em odres novos, e assim não se perdem nem os odres nem o vinho” – Mateus 9:16, 17

 

Heródoto[1] mostra-nos que os egípcios usavam odres, feitos de peles de animais. Um odre era formado costurando-se a pele e deixando a projeção da perna e do pé para servir de gargalo. A abertura era então fechada com um tampão ou com um cordão. De outras vezes, o pescoço do animal era usado para formar o gargalo. A arqueologia tem descoberto gravuras de tais odres, no Egito. Gregos, romanos e hebreus usavam esses odres de couro (Josué 9:4,13; Jó 32:19). Mas também havia recipientes feitos de pedra, de alabastro, de vidro, de marfim, de ossos, de porcelana, de bronze, de prata e de ouro. Já desde os dias de Tutmés III, que talvez tenha sido o Faraó do êxodo, em cerca de 1490 a.C., havia vasos elegantes e elaborados, autênticas obras de arte. Muitos vasos de bronze têm sido recuperados pela arqueologia, principalmente no Egito.[2]

Usos Metafóricos.

  1. Dentro do ensino de Jesus (Mt 9:17), acima mencionado. Os antigos sistemas de pensamento enrijecem como se fossem odres de couro. E os novos sistemas doutrinários, com suas idéias expansivas, não podem ser contidos pelos antigos sistemas, pelo que são incompatíveis uns com os outros. Isso resulta na formação de algum novo sistema, religioso ou apenas denominacional.
  2. Os odres do céu, de onde procede a chuva (Jó 38:37).
  3. As lágrimas de tristeza que são preservadas em odres, ou seja, são relembradas pelo Senhor, como algo precioso (Sl 66:8).
  4. Um odre na fumaça de uma fogueira simboliza uma pessoa desgastada pela tristeza e pela aflição (Sl 119:83).
  5. Os habitantes de Jerusalém seriam como odres cheios de vinho, quando o Senhor derramasse sobre eles a sua ira, de tal modo que estourassem e ficassem arruinados (Jr 13:12)

Mateus 9:16,17

É óbvio que esses dois símbolos parabólicos querem ensinar a mesma coisa: não podemos misturar o velho sistema religioso (praticado no Antigo Testamento) com o novo sistema (religião caracterizada pela alegria, livre de formalidades, ensinada por Cristo).

  • Pano novo – Que ainda não foi lavado, cru, sujeito a encolhimento, que ao ser lavado poderia rasgar-se ou ser desfiado.
  • Odres – Refere-se aos recipientes de couro, geralmente de pele de cabras em que a parte grosseira ficava para o lado de dentro. Se os odres fossem velhos, o vinho novo, ao fermentar poderia rasgar o couro por causa da força da expansão dos gases, portanto, odres velhos, depois de usados e ressecados, por serem frágeis e quebradiços, não poderiam mais ser usados para guardar vinho novo. As duas ilustrações ensinam a mesma verdade.

O antigo sistema religioso se caracterizava pela tristeza e pela humildade (e o jejum era uma justa lembrança ou símbolo dessa espécie de religião); e, essa forma não deve ser confundida com a livre expressão da nova forma, para que não lhe sirva de obstáculo. A nova forma deve estar isenta de ritualismo e de outros elementos tendentes à depressão, e não a liberdade.

Alguns pensam que Jesus simplesmente quis ensinar que os dois aspectos não devem ser confundidos (antigo e novo). Porém, tanto neste caso como em outros, podemos afirmar que Jesus mostrou pouca paciência com essas formalidades religiosas, que para Ele não eram elementos importantes da Sua religião. Jesus não misturaria ascetismo[3] com a liberdade espiritual da revelação que trouxe.

A nova religião de Jesus é viva, expansiva, livre de cerimônias; a antiga é sobrecarregada de tradições e formalidades, sendo-lhe impossível expandir-se para conter a nova. (Ver também Lucas 5:36-39) Na realidade, porém , o ponto é que a pessoa prejudicada nem ao menos deseja tentar o que é novo (o evangelho), pois está satisfeita com o que é antigo (ritualismo), que lhe parece bom .

Encerro este texto alegre por saber que há um Senhor que distribui a todos o seu vinho novo, ou seja, o convite da maravilhosa graça salvadora expressa na cruz; mas ao mesmo tempo, fico triste por saber que muitos odres (corações) já se tornaram endurecidos pelas lutas, obstáculos da vida e pela contínua rejeição desse convite. Oro ao Senhor para que seu Espírito torne nossos corações sempre flexíveis e sedentos por mais do Seu Amor. Shalom.

[1] Historiador grego, considerado o pai da ciência histórica.

[2] Enciclopédia Champlin. Volume 4. M-O, pg 579.

[3] Moral filosófica baseada no desprezo do corpo e das sensações corporais, e que tende a assegurar, pelos sofrimentos físicos, o triunfo do espírito sobre os instintos e as paixões; asceticismo (Dic. Michaelis-on line).

Anúncios

Um comentário sobre “VINHO NOVO EM ODRES NOVOS – O QUE É ISSO?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s