O BRASIL AINDA SERÁ UM PAÍS JUSTO?

“Um país que crianças elimina; e não ouve o clamor dos esquecidos; onde nunca os humildes são ouvidos; onde as leis são descartáveis; onde os homens confiáveis não têm voz, mas corruptos têm voz, têm vez, têm bis; onde a Escola não ensina; e o Hospital não dispõe de Raios X; um país que perdeu a compostura, atendendo a políticos sutis, que dividem o Brasil em mil brasis; para melhor assaltar, de ponta a ponta.”

As frases acima são trechos da obra chamada “O Meu País”; quando li esse poema achei que era uma crítica ao atual momento brasileiro, mas fiquei surpreso ao ver que se tratava de um texto do século passado, com mais de 20 anos. Chamar de atual pode soar como elogio aos autores, mas na verdade é uma ofensa ao povo brasileiro constatar a inabilidade dos nossos governantes e políticos que até hoje não resolveram questões tão cruciais para o desenvolvimento do país: hospitais fechando por falta de aparelhos de raios X, escolas impróprias por degradação, goteiras, etc., e tantas divisões, burocracias e outros “nós” que só servem de desculpa para surrupiar o dinheiro suado do trabalhador assalariado, que é o pagador de impostos e sustentador do sistema.

Seus autores são:

Orlando Tejo- Paraibano, Advogado poeta, ensaísta, jornalista, folclorista, professor (autor da Letra).

Gilvan Chaves – Pernambucano, cantor, compositor, violonista. (autor da Letra)

Livardo Alves – Paraibano, jornalista e compositor (autor da música)

Foi gravada em 1994 por Flávio José e em 2000 por Zé Ramalho no Cd Nação Nordestina[1].

O compositor Livardo Alves, conhecido no cenário brasileiro por várias composições, entre elas a famosa marchinha carnavalesca ‘Marcha da Cueca’ (Eu mato, eu mato / Quem roubou minha cueca / Pra fazer pano de prato…), foi imortalizado em uma estátua em bronze, em tamanho natural, sentado em um banco de praça de João Pessoa[2].

Transcrevo abaixo a letra, sendo postado também um vídeo com a interpretação de João de Almeida Neto, cantor, letrista e crítico musical brasileiro, nascido em Uruguaiana, Rio Grande do Sul.

O MEU PAÍS

(Autor: Orlando Tejo, parceria com Gilvan Chaves e Livardo Alves; interpretação de João de Almeida Neto[3])

Um país que crianças elimina;

E não ouve o clamor dos esquecidos;

Onde nunca os humildes são ouvidos;

E uma elite sem Deus é que domina;

Que permite um estupro em cada esquina;

E a certeza da dúvida infeliz;

Onde quem tem razão passa a servis;

E maltratam o negro e a mulher;

Pode ser o país de quem quiser;

Mas não é, com certeza, o meu país.

 

Um país onde as leis são descartáveis;

Por ausência de códigos corretos;

Com noventa milhões de analfabetos;

E multidão maior de miseráveis;

Um país onde os homens confiáveis não têm voz,

Não têm vez,

Nem diretriz;

Mas corruptos têm voz,

Têm vez,

Têm bis,

E o respaldo de um estímulo incomum;

Pode ser o país de qualquer um;

Mas não é, com certeza, o meu país.

 

Um país que os seus índios discrimina;

E a Ciência e a Arte não respeita;

Um país que ainda morre de maleita, por atraso geral da Medicina;

Um país onde a Escola não ensina;

E o Hospital não dispõe de Raios X;

Onde o povo da vila só é feliz;

Quando tem água de chuva e luz de sol;

Pode ser o país do futebol;

Mas não é, com certeza, o meu país!

 

Um país que é doente;

Não se cura;

Quer ficar sempre no terceiro mundo;

Que do poço fatal chegou ao fundo;

Sem saber emergir da noite escura;

Um país que perdeu a compostura;

Atendendo a políticos sutis;

Que dividem o Brasil em mil brasis;

Para melhor assaltar, de ponta a ponta;

Pode ser um país de faz de conta;

Mas não é, com certeza, o meu país!

 

Um país que perdeu a identidade;

Sepultou o idioma Português;

Aprendeu a falar pornô e Inglês;

Aderindo à global vulgaridade;

Um país que não tem capacidade;

De saber o que pensa e o que diz;

E não sabe curar a cicatriz;

Desse povo tão bom que vive mal;

Pode ser o país do carnaval;

Mas não é, com certeza, o meu país!

[1] Site na Web: https://pt.wikipedia.org/wiki/Na%C3%A7%C3%A3o_Nordestina

[2] Site na Web: http://dilurdis.blogspot.com.br/2010/09/o-meu-pais-orlando-tejo-gilvan-chaves-e.html

[3] Site na Web: https://www.letras.mus.br/joao-de-almeida-neto/796790/ acessado em 20.01.16

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