CRISE? ONDE ESTÁ A CRISE?

Aumento salário vereadoresResolvi escrever algo sobre crise quando assisti em um noticiário que um vereador iria apresentar projeto de um aumento significativo de salário para sua categoria porque, segundo ele, “não existe crise”; mas acabou reduzindo os salários do Executivo e Legislativo diante da pressão da comunidade: “Vereadores voltam atrás e apresentam projeto que revoga aumento de 103%” [1].

Ah! Não esperem um texto meramente oportunista (demagogia) e conotativo à política, pois tenho por objetivo ajudar meus leitores trazendo várias nuances sobre o tema, ainda que cada uma resumidamente, devido ao espaço e propósito.

Mas será que realmente não existe crise? E por que ouvimos tanto falarem em crise moral, espiritual e social? Esta última desdobra-se em outras qualificadoras, tais como: crise financeira, da saúde, da educação, da segurança, de ciúmes, do casamento, noivado, etc., etc.

Sabe-se também que uma crise pode aprofundar outras crises, por exemplo: quando um Diretor de uma empresa é preso numa Operação Policial, devido a crimes fazendários, sua empresa poderá ficar inoperante e demitir inúmeros funcionários, que entrarão em crise financeira, estes, por sua vez, gerarão crises nos filhos, nos credores, e inclusive poderão praticar crimes em nome da crise (furto, suicídio, etc.). Exemplos é que não faltam deste tipo de crise: “Com a Petrobras e as empreiteiras travadas, a expectativa é que os demais elos do segmento também sintam a retração, com ameaça aos empregos”, noticia Zero Hora[2].

Mas também há crises que podem tirar outras pessoas ou setores da sociedade das suas “crises”, inclusive gerando riquezas e oportunidades de emprego. Como exemplo citamos um vendaval com granizo, que destelha inúmeras casas em um determinado município; lojas de materiais de construção lucrarão muito com a venda de telhas, tijolos e madeira; prestadores de serviço não darão vencimento na reconstrução das casas.

A origem da palavra crise é grega – krísis – e conceitua-se como: manifestação violenta e repentina de ruptura de equilíbrio; também definida como fase difícil, grave, na evolução das coisas, dos fatos, das ideias; é também um estado de dúvidas e incertezas; momento perigoso ou decisivo; ponto de transição entre um período de prosperidade e outro de depressão; tensão, conflito[3].

Para os órgãos de Segurança Pública, crise é um advento ou situação crucial, que exige uma resposta especial da polícia, a fim de assegurar uma solução aceitável[4]·

São características da crise:

  • Imprevisibilidade – a crise é não seletiva e inesperada.
  • Compressão de tempo – exige urgência, agilidade e rapidez nas decisões.
  • Ameaça à vida – elemento decisivo de um evento crítico.
  • Postura organizacional não rotineira – exige preparo e treinamento prévio.
  • Exige planejamento analítico especial (análise e planejamento prejudicados pela falta de informações, tumulto da massa, intervenção da mídia, etc.).
  • Exige considerações legais especiais – estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento do dever legal, responsabilidade civil, etc. A ameaça de vida deve ser considerada um componente essencial do evento crítico.

Embora a divergência seja natural e saudável entre nós, seres humanos, quando ela extrapola os limites, o acirramento inevitavelmente levará ao conflito.  O conflito surge quando há a necessidade de escolha entre situações que podem ser consideradas incompatíveis.

Todas as situações de conflito são antagônicas e perturbam a ação ou a tomada de decisão por parte da pessoa ou de grupos. Trata-se de um fenômeno subjetivo, muitas vezes inconsciente ou de difícil percepção. As situações de conflito podem ser resultado da concorrência de respostas incompatíveis, ou seja, um choque de motivos, ou informações desencontradas.

O conflito, no entanto, pode ter efeitos positivos, em certos casos e circunstâncias, como fator motivacional da atividade criadora. A questão principal é saber como utilizá-lo de uma maneira eficaz e produtiva. Nesse sentido a mediação oferece um novo método de resolução de conflitos baseado na sua utilização positiva, o que já vem sendo utilizado pela Justiça Brasileira, especialmente nos Juizados de Pequenas Causas.

O conflito em algumas escolas da sociologia é enxergado como o desequilíbrio de forças do sistema social que deveria estar em repouso, isto é, equilibrado, quanto às forças que o compõe. Segundo esta teoria, não se enxerga mais o grupo como uma relação harmônica entre órgãos, não suscetível de interferência externa.

A concepção oriental (conceito chinês) do conflito é oportunidade, ou seja, ao se buscar solução para as crises, encontram-se novas oportunidades. Outro significado para crise está no Livro de Provérbios 17:3 “O crisol é para a prata, e o forno para o ouro; mas o SENHOR é quem prova os corações”. Sobre isso, nos diz Manuela Melo:

A Bíblia apresenta a palavra “crisol”, que leva à interpretação da palavra “crise” como purificação. Crisol é definido como um cadinho, um recipiente das máquinas fundidoras, onde se derrete o metal e os materiais diferentes são separados[5].

Logo, a visão teológica da crise, se é que podemos dizer assim, é de uma “provação” divina sobre a humanidade, muitas vezes sobre um indivíduo ou uma nação específica. Normalmente vinha após uma flagrante desobediência às leis divinas, como um chamado ao arrependimento e retorno ao bom senso: Juízes 2:11: “Então fizeram os filhos de Israel o que era mau aos olhos do SENHOR;” verso 14:“Por isso a ira do SENHOR se acendeu contra Israel, e os entregou na mão dos espoliadores que os despojaram;” verso 18: “(…)porquanto o SENHOR se compadecia deles pelo seu gemido, por causa dos que os oprimiam e afligiam”. Neste exemplo também se percebe o desequilíbrio nas relações como fator preponderante para a crise; no caso específico, relações entre homem e Criador.

Em 2008, o jornalista Paulo Santana[6] escreveu em seu Blog algo interessante sobre a crise que assolava o mundo e que diziam já ter chegado ao Brasil:

Que crise é esta se estão aprovando, Senado e Câmara, o aumento de 7,3 mil vereadores no Brasil? Ou seja, estão sendo criados 7,3 mil novos cargos de vereadores em todo o país. Evidentemente que, se houvesse crise, a isso não se arriscariam nossos dignos representantes. Que crise é esta, que só na semana passada o governo Lula criou cerca de 900 funções gratificadas para administrar os museus brasileiros? Não existe crise. O que há é a bonança. E o desenvolvimento.

Foi feita uma pesquisa ainda agora que indicou que 79% dos brasileiros entrevistados querem a realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014. Se existisse crise, não seriam a favor, o governo gastará uma fortuna colossal para realizar a Copa do Mundo de 2014. Copa do Mundo absolutamente desnecessária, que só pode ser realizada em país rico. Não há crise, o Brasil está rico. Se não estivesse, não pensaria no luxo de gastar dezenas de bilhões de reais numa Copa do Mundo. Desnecessários e supérfluos bilhões.

Conforme escreveu o renomado jornalista, lendo-se todo o texto em seu blog, percebe-se claramente uma previsão sobre o que hoje (2015) está se passando no Brasil, ou seja, uma crise devido ao desequilíbrio nos gastos públicos quando ainda era possível aos governantes adotarem medidas preventivas. A forma de organização do Brasil ainda é muito injusta, pois os Estados federados ficam devendo para a União dívidas impagáveis, numa lógica difícil de aceitar; é como se numa família, os filhos ficassem devendo aos pais o pão, o almoço, etc. Outra grande injustiça que se faz é culpar o funcionalismo público, ativos e aposentados, pelo desequilíbrio na Previdência Social; ora, no Brasil já apareceram inúmeros escândalos de desvio das verbas da previdência; também o país não tem cultura previdente, como um país rico e desenvolvido, pois gasta tudo o que arrecada, não incentivando fundos de pensão por categorias ou entidades, onde essas mesmas pudessem gerir, sem o perigo dos desvios provocados a nível governamental.

O que podemos concluir com isso é que as crises não apresentam apenas um sentido negativo, que nos põe para baixo, exaurindo nossas forças; ao contrário, é o momento ideal para analisarmos esses erros e transformá-los nas grandes oportunidades de que os chineses falam, e aproveitarmos para crescer e sermos pessoas melhores.

Crise, acima de tudo, exige tomada de DECISÃO!

 Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade. Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto Deus o pôs sobre ele. Ponha a sua boca no pó; talvez ainda haja esperança” (Lamentações 3:27-29).

 [1]http://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2015/04/vereadores-voltam-atras-e-apresentam-projeto-que-revoga-aumento-de-103-limeira.html

[2]http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/11/como-a-operacao-lava-jato-pode-afetar-a-economia-o-rio-grande-do-sul-4643178.html

[3] http://formacao.cancaonova.com/diversos/como-lidar-com-as-crises-e-conflitos/

[4] SOSA, Ramon Oscar. El Negociador-El equilibrio en las negociaciones. República Argentina, 1997.

[5] http://formacao.cancaonova.com/diversos/como-lidar-com-as-crises-e-conflitos/

[6]http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&uf=1&local=1&template=3948.dwt&section=Blogs&post=132938&blog=220&coldir=1&topo=3994.dwt

 

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