APARÊNCIAS

Felicidade

 

Certa vez um velho professor de economia disse: “Os empréstimos salvam as aparências, mas destroem as realidades”. Essa afirmação sempre me vem à mente quando analiso as dificuldades pelas quais passamos (eu, comunidade, sociedade, etc.).

Ao ver governantes dizendo que irão pedir recursos financeiros ao BNDES, ao Judiciário, ao governo federal, ao exterior, ou seja para quem for, visando sanar pendências ou compromissos imediatos, logo percebo que essa solução vem sendo utilizada há muitos anos, por muitos governos que se preocupam em salvar as aparências. Soluções definitivas, tais como aumentar a produção, melhorar a infraestrutura da malha viária, preparar pessoas profissionalmente qualificadas, etc., são coisas de somenos importância nos programas de governos.

Mas e daí? Viver de aparências até nos faz felizes, mesmo sem sermos felizes. Por falar nisso (felicidade), assistindo um programa de TV, onde os apresentadores mudavam o modo de vestir das participantes voluntárias, faziam embelezamento artificial, entre outros benefícios estéticos, percebi o quanto as voluntárias ficavam satisfeitas; quando o apresentador perguntou para uma delas o que estava achando, ela respondeu: “Estou feliz.” Sim, o momento a deixou feliz por ter sido abençoada com uma dádiva que deu resultado, ainda que este seja totalmente eventual, passageiro.

Por muito tempo vem sendo ensinado nas escolas, nas academias, de que os problemas da sociedade advêm de pessoas egoístas, que somente se preocupam com o “ter” e menos com o “ser”; mas vejo que essa teoria comportamental está um tanto defasada, uma vez que os “modelos” de Ser (ídolos) são fabricados, em sua maioria, como seres que causam repulsa e opressão aos menos favorecidos, visto sob a ótica da moralidade e dos bons costumes e, para que entendam,  cito apenas um exemplo fictício: um “craque de futebol”, passa a “ficar” com várias modelos e atrizes, ostentando carrões, iates, jatinhos, etc., mas esquece de jogar futebol, de ser competitivo, de representar bem o seu país. Logo, penso eu, a teoria deveria ser complementada, que o que está valendo hoje para a sociedade pós-moderna não é a questão de “ter” ou “ser”, mas sim “representar”; ou seja, valoriza-se quem ostenta e quem aparenta, mesmo que não tenha ou não seja nada que concretamente auxilie na construção de uma humanidade mais justa e equilibrada.

Mas haverá uma felicidade além das aparências? Dirão especialistas em comportamento humano de que a vida é assim mesmo, cheia de altos e baixos, e a felicidade não passa de um estado de espírito. Porém, quando vejo pessoas bem sucedidas, que “tem” e que “são”, morrendo por overdose de cocaína, ou mesmo se suicidando ao se jogarem de pontes e precipícios; e, pessoas humildes, que passam assobiando em suas carroças, levando felizes o pouco alimento que granjearam naquele dia, percebo que a felicidade está além de meros conceitos e não depende somente de atitudes, boas obras ou conquistas humanas.

Para encerrar, quero citar um exemplo que me ajuda a começar a compreender essa angustiosa luta humana pelo bem-estar, pela felicidade, ou como queiram chamar; trata-se do profeta bíblico chamado Habacuque, que diz no capítulo 3, versículos de 17 a 19, no livro que leva o seu nome: “Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no Senhor (Adonai), exultarei no Deus (Elohim) da minha salvação. O Senhor é minha força, e fará os meus pés como os das corças, e me fará andar sobre as minhas alturas.” A menção da figueira, da videira, da oliveira, dos cereais e dos rebanhos abrange toda a linha dos produtos agrícolas dos quais a nação dependia. Presumivelmente a razão para o fracasso das colheitas fosse a invasão por parte de povos que historicamente têm feito guerra a Israel. As tropas inimigas não só acabavam com a terra, mas com frequência e deliberadamente destruíam árvores e colheitas. Poderia o profeta, como um homem comum, entrar em depressão e desespero, mas demonstrando que não olhava para as circunstâncias da vida, e que as aparências não determinavam sua felicidade, ele podia dizer: “Todavia eu me alegrarei NO SENHOR (…) fará os meus pés como os da corça.” Assim, sua felicidade estava em confiar no Criador, pois Ele é fiel e, ao mesmo tempo em que traz provações ao Seu povo, aponta o Caminho para escapar da morte velozmente como a corça.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s