FOGÃO IMPOSSÍVEL

Certos projetos que idealizamos não se concretizam porque normalmente sofrem influências indesejáveis. Essas influências ou fatores podem ser externos ou internos; o pior deles está dentro de nós e se chama EGOÍSMO. O egoísmo brota porque há uma sede de poder, uma vontade de ser reconhecido e tantos outros sentimentos errados no nosso  coração, que nos fazem olhar somente para o EU; daí queremos ganhar tudo o que pudermos, mesmo que os outros percam tudo. Existe a teoria do Ganha-Perde, ou seja, eu ganho e tu perdes, mas devemos adotar a postura Ganha-Ganha, onde se eu tiver sucesso, ou vice-versa, eu ganho e tu também ganhas, e todos saímos ganhando.

Com essa breve introdução, quero deixar-lhes uma breve metáfora:

O FOGÃO IMPOSSÍVEL

Era uma região muito fria. Os homens eram pobres e não tinham meios para se defender contra uma temperatura que os matava. Um viajante passou por essa região e ficou muito triste. O viajante era muito sensível a dor e amava as pessoas que sofrem. Ele pensou muito tempo qual poderia ser a solução para esse problema. Depois de muita reflexão achou uma saída possível. Aqueles homens poderiam se reunir na noite, quando o frio se tornava mais cruel, e se abrigarem todos em torno de um fogão. Ele fez uma primeira viagem. Ele próprio levou a lenha para o grande fogão e explicou o seu projeto para o povo da região.

Como ele mesmo não poderia chegar onde se faria o fogo salvador, deu a cada pessoa um pedaço de boa lenha. A homens e mulheres, adultos e crianças, todos receberam um pedaço de lenha de acordo com a sua força. Ele deixou as instruções necessárias, e saiu com a promessa de voltar a cada dia com uma carga de lenha para o fogão, todas as noites. O sol caiu atrás do horizonte. O frio cavalgou sobre o vento e correu sobre a região.

As pessoas da região lentamente se dirigiram para o lugar indicado, até o fogão de cada noite.

Eles formaram um grande círculo em torno do lugar indicado. Eles olharam um para o outro em silêncio. Cada um em sua roupa abraçava um pedaço de lenha, como a sua própria salvação.

O chefe da região foi para o centro do círculo e disse aos que estavam reunidos: “Graças a bondade do viajante que nos visitou, que teve piedade de nós, agora dormiremos sem medo de morrer de frio. Acenderemos uma grande fogueira com a lenha de cada um, e dormiremos ao abrigo de seu calor. ”

E sentou-se em seu lugar no círculo. Ele também apertava em suas roupas um pedaço de lenha, como se acariciando sua própria salvação.

Houve um longo silêncio … ninguém se moveu de seu lugar … cada um apertava forte em seus braços seu próprio pedaço de lenha. O frio era como correias de aço e cortava a pele. Todos começaram a tremer …

Um perguntou ao que estava ao seu lado: “Onde está o fogão?” O outro respondeu: “Eu não vejo nada, nos enganaram”. Um murmúrio confuso se espalhou entre todos. Era de raiva e protesto. Depois foram gritos, discussões e insultos. E eles começaram a levantar-se para ir para suas casas …

O frio congelou as vozes da região. O silêncio era como blocos de gelo que apertava árvores e casas com uma luva de cristal. O sol anunciou a bondade de um novo dia. Seus primeiros raios foram rompendo o cerco de frio ..

A vila acordou. Mas muitos tinham morrido. E mais uma vez chegou o viajante generoso. Ele estava com sua carga de lenha …

Os habitantes da região começaram a sair de suas casinhas precárias. Aproximaram-se do amigo viajante … Olhavam com raiva. O amigo viajante não entendia.

De repente, eles gritaram juntos: “Você nos enganou, fomos para o lugar designado e não encontramos o fogão. Morreram muitos de frio! …

E o bom homem entendeu e, então, com muita calma, mas com uma voz tão poderosa que deu medo ao povo da região, disse: “Vocês são responsáveis por aqueles que morreram de frio na noite passada. Não lhes dei a lenha necessária para que todos se abrigassem junto ao fogo? Mas vocês são tão egoístas, que cada um guardou seu pedaço de lenha. Será que não perceberam que só se faria uma grande fogueira se todos entregassem o seu pedaço de lenha? … ”

E o amigo viajante se foi amargurado. As pessoas da região se olharam e se foram pensativas para suas casas.

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