DESCANSAR!

É com alegria que me dirijo a vocês, colegas da Turma de Aspirantes 1993, para comunicar-lhes que passei para a Reserva Remunerada da nossa gloriosa BM. O motivo é porque completei o tempo legal e resolvi, por não vislumbrar possibilidades de nova promoção, investir em novos desafios, estudar mais um pouco e procurar fazer alguma coisa com ritmo próprio, dando mais tempo para a família e amigos.

Resolvi escrever-lhes estas palavras porque se alguém não havia tomado conhecimento desse fato, achei que deveria lhes avisar, pois afinal de contas, sinto-me na obrigação de manter informados aqueles que tanto me apoiaram durante o longo período que a nossa “Turma 93” permaneceu unida, onde fomos forjados para a enfrentarmos os mais diversos desafios que a carreira nos impôs. Lá, naquela saudosa Escola de Líderes, aprendemos também a viver como irmãos, onde não tenho outra lembrança senão da forma carinhosa que a Turma sempre me tratou (o Véio), porque todos sabiam que eu era um dos poucos casados, com filhos pequenos, e a APM estava recebendo alunos nessa situação, depois de muitos anos sem tê-los; esse fato, aliado ao pernoite implacável, trouxe-me dificuldades adicionais, onde só não desisti porque encontrei forças em Deus e em vocês, colegas, amigos e guerreiros.

Na verdade não estou me despedindo de vocês, pois estou prosseguindo com a minha vida, já bem estabilizada, e pretendo continuar sempre o mesmo, a disposição de todos vocês para o que necessitarem de mim. Não saio recalcado com ninguém, nem com a minha Instituição, pois se não galguei um posto mais alto é porque tive 07 (sete) anos de praça, o que muito me orgulha, e porque iniciei também bem cedo a contar tempo de serviço (inclui com 19 anos de idade). Peço perdão se em algum momento feri algum de vocês, durante nosso convívio de caserna.

Agora que completei a carreira, sei da porta que se abre para, indiretamente, servir como interlocutor dos anseios da caserna junto a outros setores da sociedade. Se a BM não precisar de mim, não lembrar mais de mim, não tem importância, pois meu contrato de 30 anos de serviço terminou com ela, agora resta à lembrança, a gratidão a essa Corporação: pelo homem que hoje sou, pelo que possuo, pelos amigos que fiz, pela família que pude formar, sim, foram muitas as conquistas.

Para finalizar, quero lhes dizer que, em virtude do tamanho de nosso Rio Grande, ou mesmo pelo próprio sistema, que valoriza mais o papel do que o individual, não pude demonstrar muito do meu trabalho aos colegas, mas onde servi, tive o privilégio de deixar linha de tiro, galpão de festas, campo de futebol sete, centro de treinamento de bombeiros, inúmeros IPM e  Sindicâncias realizadas,  etc., obviamente que não construí sozinho, pois sempre contei com o respaldo de meus comandantes e o apoio dos meus subordinados, que incansavelmente me ajudaram a construir essas benfeitorias; sem falar que desde 1994, quando fui nomeado instrutor da EsFAS, tive a oportunidade de, não apenas ministrar instrução, mas sim, plantar amigos, porque não tem quartel que eu vá, que lá não encontre um Sargento, ou mesmo um Soldado, que venha me cumprimentar e dizer que fui seu instrutor em tal e tal ano. Já dizia o sábio Salomão: “Melhor é ter um bom nome do que muitas riquezas…” Provérbios 22.1. Como também é verdadeiro que tudo o que se planta colhe, com certeza vou colher, dos amigos, a eterna amizade; isso é o que realmente importa nesta vida. (Paulo Júnior R. Espindola – às suas ordens sempre)

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